O Salgado

Patrimonio Natural

As condições únicas das salinas artesanais – elevadas concentrações de sal e grandes flutuações de temperatura e volume de água – favorecem a presença de espécies de macrofauna, algas e vegetação halófita, imprescindíveis para a sobrevivência de outras espécies, e a presença de uma grande diversidade de aves que aqui encontram abrigo, alimento e locais ótimos para reprodução.

Patrimonio Natural

Vegetação em solo salino

As unidades produtivas das salinas da Figueira da Foz são reservatórios construídos em terra e sobre solos impermeáveis, implantados em zonas de sapal. Os sapais são zonas húmidas costeiras, regularmente inundadas pela água do mar, com vegetação característica que tolera um solo salino, e a que chamamos vegetação halófita. As quatro espécies halófitas aqui descritas são comestíveis e devido ao seu teor de sal pode ser usadas como substituto do sal.

A Salicornia, a Suaeda e a Sarcocornia armazenam a água salgada nas suas folhas e caules adaptados. Daí serem tão carnudos. A acumulação da água salgada, garantindo uma concentração de sal semelhante à do exterior, evita que a planta perca água e fique desidratada. Na realidade a planta está a evitar um processo conhecido por osmose, em que um solvente tem tendência a passar de um meio menos concentrado em sais (água não salgada) para um meio mais concentrado (água salgada).
A Gramata-branca adaptou-se de outra forma. Os sais absorvidos são em parte expelidos através das raízes (o que acontece também na Sarcocornia) e o excesso é segregado por glândulas especiais existentes nas folhas. O sal é então expulso e fica a revestir a superfície das folhas dando-lhes um aspeto de geada. Depois de secas as folhas caem e o sal é desta forma removido da planta.

Patrimonio Natural

Espécies animais e outras

O estuário do Mondego, onde se insere o Salgado da Figueira da Foz, está classificado como Sítio de Interesse Internacional (SIC) para as aves aquáticas no âmbito da Convenção das Zonas Húmidas (Convenção de Ramsar). Esta classificação deve-se à enorme diversidade de aves que beneficia também das salinas, em particular do alimento que aqui encontra. Nas salinas há uma grande diversidade de presas, que se distribuem de acordo com as características dos compartimentos e cuja abundância vai variando ao longo do ano.

Época de repouso: Nos viveiros encontra-se uma grande diversidade de peixes, crustáceos, bivalves anelídeos, gastrópodes, insetos e microalgas. Nos tanques de evaporação encontram-se invertebrados, como os anelídeos e gastrópodes, e larvas de mosquitos. Nos cristalizadores há muita abundância de artémia e larvas de mosquito.
Época reprodutiva: Entre julho e setembro, as concentrações de sal atingem o seu auge e dificultam a sobrevivência de várias espécies. À medida que a água vai evaporando, mantêm-se nos tanques de evaporação e cristalização a artémia, os gastrópodes, as moscas da salmoura e as microalgas. E quando a concentração de sal atinge valores muito elevados, apenas as microalgas e as bactérias halofílicas sobrevivem. Estas conferem a cor rosada à água e ajudam na precipitação do sal ao promoverem o aumento da temperatura e da evaporação.

Aves

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